Carros e Motos

Mais álcool na gasolina pode provocar problemas ao motorista

Elevação do índice de etanol anidro na gasolina comum, que hoje é de 27%, estaria sendo avaliada pelo Governo Federal
13/03/2018 - 10h:02min - Fonte: Jônatha Bittencourt/Band

Um possível decreto do presidente da República, Michel Temer, poderá elevar o índice de álcool anidro no litro de gasolina comum. A informação é da Folha de São Paulo. Segundo o jornal, a determinação repercutiria numa elevação escalonada dos atuais 27% até 30%, em 2022, chegando a 40% de etanol misturado à gasolina em 2030.

A medida não é vista com bons olhos por especialistas, como é o caso do engenheiro Henrique Pereira. O membro da comissão técnica de motores Ciclo Otto da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE BRASIL) afirma que a mistura de álcool e gasolina não chega a ser prejudicial para veículos flexíveis – que até melhoram no quesito performance, mas perdem no consumo.

“Agora quando nós partimos para falar de carros importados ou nacionalizados, que são fabricados em outros países e vem para o Brasil, eles são feitos para serem movidos à gasolina e de repente você está usando 40% de álcool, então eu posso começar a ter problema de partida, começar a ter problema de rendimento, aumento no consumo, e até em alguns casos, ter quebra de motor”, explica o engenheiro.

O possível decreto do presidente Michel Temer estaria relacionado ao RenovaBio, programa que incentiva a redução de poluentes em derivados de petróleo promovendo combustíveis menos nocivos ao meio ambiente, como é o caso do etanol.

No entanto, o engenheiro Henrique Pereira destaca a ineficiência do aumento do índice de álcool na gasolina para automóveis que não são flexíveis.

“Quando se fala em poluir mais ou menos com álcool, um motor regulado – que a gente chama de calibração- para andar com uma certa quantidade de álcool, ele vai ter um nível de poluição menor. A poluição não é dada pelo tipo de combustível que você utiliza, e sim pela calibração que o carro tem e pelas leis ambientais”, afirma Pereira.

“Então, você vai regular o motor para que ele tenha um certo desempenho, um certo consumo e que atenda a essa lei. Esse carro foi ajustado para andar com uma certa quantidade de gasolina – falando de carro exclusivamente de gasolina-, e eu ajustei esse carro para andar com 20 e poucos % de álcool e ele me polua dentro da lei. Na medida que você coloca mais álcool nesse carro, ele não está ajustado e a queima do motor pode ser incompleta”, explica.

A equipe de reportagem buscou mais informações junto ao governo federal, mas não obteve retorno. A matéria estaria sendo analisada pela Casa Civil.

Por meio de nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar disse lamentar a publicação de notícias sem fundamentos sobre o projeto, que foi amplamente discutido no Congresso Nacional e que visa ao bem ao meio ambiente e a sociedade. Segundo a instituição, a "mistura compulsória foi especulada no PL original, mas logo foi descartada pelos próprios produtores de biocombustíveis". A entidade garante que "o texto da Lei sancionada em dezembro de 2017 pelo presidente da República, Michel Temer, e que aguarda publicação do decreto, não prevê tal medida”. O decreto do RenovaBio, versaria, portanto, sobre a orientação do funcionamento do programa, não sobre questões de mistura.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar destacou ainda que um decreto não pode aumentar o percentual de mistura por entraves formais.

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