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Cientistas querem que NASA passe por Vénus antes de chegar a Marte

Países enviarão 3 missões para Marte a partir do dia 15/7; período marca ponto de maior proximidade entre planeta e a Terra
13/07/2020 - 11h:23min - Fonte: Notícias ao Minuto, Terra

NASA quer mandar em 2030 missões tripuladas a Marte. Contudo, segundo vários cientistas, antes de aterrarem no planeta vermelho, os astronautas deveriam aproveitar e passar por Vénus.  

A sugestão foi defendida num novo artigo escrito por vários investigadores na revista científica 'Acta Astronautica', que acreditam que esta paragem no segundo planeta do Sistema Solar pode oferecer benefícios à missão a Marte.

Entre os argumentos, cita o The New York Post, destacam-se: "Um melhor aproveitamento da energia que requer a missão a Marte" e o facto de se "visitar um segundo planeta".

"A passagem humana em Vénus não é só uma viagem gratuita é também uma mais valia para toda a missão. (...) Não existe qualquer razão pela qual não se fique entusiasmado com esta abordagem de 'dois planetas pelo preço de um'", pode ler-se no artigo, que contou com a participação de dezenas de cientistas de organizações e universidades de prestígio, tais como, a Universidade Johns Hopkins e a NASA JPL

Os investigadores detalham ainda que a paragem em Vénus acrescenta pouco menos de um ano ao plano de viagem inicial. Contudo, se a missão avançar com a passagem no segundo planeta, existe a possibilidade de se verificar um "aumento do risco de radiação solar" a que estarão expostos os astronautas, em comparação com uma missão apenas com rumo a Marte. 

Conhecido como 'Gémeo mau da Terra', o planeta Vénus tem condições climáticas extremamente inóspitas, sendo que as temperaturas podem atingir os 462 graus. No final de 2019, a NASA revelou estar a trabalhar numa aeronave pensada especialmente para explorar este planeta, que tem mais vulcões do que qualquer outro corpo celestial no Sistema Solar. 

No início deste mês, a agência norte-americana também anunciou que decidiu adiar o lançamento da sua nova missão de levar um rover a Marte - a Perseverance - e que a mesma não acontecerá antes de 30 de julho

 

Missões tripuladas

Astronaut Scott Kelly

China, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos aproveitarão o período em que o planeta vermelho está mais próximo da Terra para fazer missões exploratórias independentes. A aproximação entre os dois astros ocorre uma vez a cada 780 dias e segue até meados de agosto. Após essa janela, um novo período será registrado apenas em 2022.

A primeira delas é a missão árabe "Hope" ("Esperança"), que será enviada no dia 15 de julho pelo Centro Espacial de Tanegashima, no Japão.

A expedição tem como meta estudar a atmosfera de Marte, criando um mapa do clima do planeta ao longo de um ano marciano - o que equivale a 20 meses da Terra. A ideia é estudar e entender como funciona o planeta, com suas divisões por "estações". 

No dia 30, será a vez da China realizar sua primeira missão para Marte com a "Tianwen-1" ("Busca pela verdade celeste"), que enviará dois veículos para o local - cada um equipado com seis instrumentos de análise. A aterrisagem deve ocorrer em fevereiro de 2021.

Nunca antes Pequim teve um objetivo tão claro como o dessa ação, que buscará estudar a atmosfera marciana, a estrutura interna e da superfície do astro, com uma particular atenção a possíveis traços de água e eventuais formas de vida.

Entre 30 de julho e 15 de agosto será a vez da norte-americana "Perseverance" (Perseverança), o quinto rover que a Nasa se prepara para mandar para Marte. 

A missão, que deve partir da base de Cabo Canaveral, na Flórida, deve chegar ao destino final em março de 2021 para recolher as primeiras amostras do solo marciano destinadas a serem mandadas para a Terra, provavelmente, até 2031. Também será enviado um pequeno helicóptero com capacidade de voo de até 10 metros de altura.

Além disso, a missão que faz parte do aguardado programa "Marte 2020" também mandará uma lista com 10,9 milhões de nomes de entusiastas e uma homenagem para os profissionais de saúde que atuaram na pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

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